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segunda-feira, 20 de abril de 2009

A responsabilidade social da mídia, por Venício Lima

A responsabilidade social da mídia, por Venício Lima



Há 62 anos, em 27 de março de 1947, era publicado nos Estados Unidos o primeiro volume que resultou do trabalho da Hutchins Commission – “A free and responsible press” (Uma imprensa livre e responsável). A Comissão, presidida pelo então reitor da Universidade de Chicago, Robert M. Hutchins, e formada por 13 personalidades dos mundos empresarial e acadêmico, foi uma iniciativa dos próprios empresários e foi por eles financiada.

Criada em 1942 como resposta a uma onda crescente de críticas à imprensa, a Comissão tinha como objetivo formal definir quais eram as funções da mídia na sociedade moderna. Na verdade, diante da crescente oligopolização do setor e da formação das redes de radiodifusão (networks), se tornara impossível sustentar a doutrina liberal clássica de um mercado de idéias (a marketplace of ideas) onde a liberdade de expressão era exercida em igualdade de condições pelos cidadãos.
A saída foi a criação da “teoria da responsabilidade social da imprensa”. Centrada no pluralismo de idéias e no profissionalismo dos jornalistas, acreditava-se que ela seria capaz de legitimar o sistema de mercado e sustentar o argumento de que a liberdade de imprensa das empresas de mídia é uma extensão da liberdade de expressão individual.

Em países europeus, com forte tradição de uma imprensa partidária, no entanto, a teoria da responsabilidade social enfrentou sérias dificuldades e a doutrina liberal clássica teve que se ajustar à implantação de políticas públicas que regulassem o mercado e estimulassem a concorrência.

Responsabilidade Social
A responsabilidade social tem sua origem associada à filosofia utilitarista que surge na Inglaterra e nos Estados Unidos no século XIX, de certa forma derivada das idéias de Jeremy Bentham (1784-1832) e John Stuart Mill (1806-1873).

Nos anos pós Segunda Grande Guerra, a responsabilidade social se constituiu como um modelo a ser aplicado às empresas em geral e às empresas jornalísticas estadunidenses, em particular, e começou a ser introduzido através de códigos de auto-regulação estabelecidos para o comportamento de jornalistas e de setores como rádio e televisão.
O modelo está, portanto, historicamente vinculado aos interesses dos grandes grupos de mídia.

A responsabilidade social se baseia na crença individualista de que qualquer um que goze de liberdade tem certas obrigações para com a sociedade, daí seu caráter normativo.
Na sua aplicação à mídia, é uma evolução de outra teoria da imprensa – a teoria libertária – que não tinha como referência a garantia de um fluxo de informação em nome do interesse público.
A teoria da responsabilidade social, ao contrário, aceita que a mídia deve servir ao sistema econômico e buscar a obtenção do lucro, mas subordina essas funções à promoção do processo democrático e a informação do público (“o público tem o direito de saber”).

Para responder às críticas que a imprensa recebia, a Hutchins Commission resumiu as exigências que os meios de comunicação teriam de cumprir em cinco pontos principais:

(1) propiciar relatos fiéis e exatos, separando notícias (reportagens objetivas) das opiniões (que deveriam ser restritas às páginas de opinião);

(2) servir como fórum para intercâmbio de comentários e críticas, dando espaço para que pontos de vista contrários sejam publicados;

(3) retratar a imagem dos vários grupos com exatidão, registrando uma imagem representativa da sociedade, sem perpetuar os estereótipos;

(4) apresentar e clarificar os objetivos e valores da sociedade, assumindo um papel educativo; e por fim,

(5) distribuir amplamente o maior número de informações possíveis.

Esses cinco pontos se tornariam a origem dos critérios profissionais do chamado 'bom jornalismo' – objetividade, exatidão, isenção, diversidade de opiniões, interesse público – adotado nos Estados Unidos e “escrito” nos Manuais de Redação de boa parte dos jornais brasileiros.

Liberdade de imprensa vs. responsabilidade da imprensa
Analistas estadunidenses consideram que a Hutchins Commision talvez tenha sido a responsável por uma mudança fundamental de paradigma no jornalismo: da liberdade de imprensa para a responsabilidade da imprensa. Teria essa mudança de paradigma de fato ocorrido?

No Brasil, certamente, os empresários de mídia continuam a defender seus interesses como se estivéssemos nos tempos da velha doutrina liberal (que, de fato, nunca vivemos).
O discurso da liberdade de imprensa e da auto regulação praticado no Brasil é historicamente anterior à Hutchins Commission. Basta que se considere, por um lado, a concentração da propriedade e a ausência de regulação na mídia e, por outro, as enormes dificuldades que enfrenta até mesmo o debate de temas e projetos com potencial de alterar o status quo legal.

Um exemplo contemporâneo são as resistências – que já se manifestam – em relação à realização da 1ª. Conferência Nacional de Comunicações.

As recomendações da Hutchins Commission, se adotadas pelos grupos de mídia no Brasil, representariam um avanço importante. Para nós, a teoria da responsabilidade social da imprensa permanece atual, mesmo 62 anos depois.

*Venício Lima é Pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília - NEMP - UNB. É autor/organizador dos livros "A mídia nas eleições de 2006" e "Mídia: Teoria e Política" (publicados pela EFPA).

Publicado originalmente na Agência Carta Maior, em 30/03/2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Homem submisso é tão útil quanto pinça quebrada.


Ailin Aleixo
Homem submisso é tão útil quanto pinça quebrada.
Tá bom, passamos as últimas décadas lutando para que eles sejam menos escrotinhos, não cutuquem o nariz em público, aprendam a lavar louça, saiam das fraldas e larguem do nosso pé. Com toda a razão: o mundo seria eternamente um espartilho tamanho P se a cada botão caído eles nos acordassem para costurar ou se o maior espaço que tivéssemos na vida fosse entre a caixa do aspirador de pó e a sala de jantar.
Lutamos e conquistamos um monte de coisas. Colocamos os homens no cabresto e daí todos os nossos problemas… mudaram.
Domamos os machões, trabalhamos até 11 horas por dia, deixamos a receita para o jantar separada para a empregada, fazemos compras de supermercado na hora de almoço, cuidamos dos gatos, fazemos luzes no cabelo, trocamos o óleo do carro e ficamos cansadas feito um camelo velho. Agora, vem cá, depois dessa suave rotina, o que eu não quero nem preciso é um bundão que recorra a mim a cada cinco minutos: ‘Qual a cor de cueca que eu compro?’, ‘O que nós vamos fazer no fim de semana?’, ‘Em qual restaurante vamos levar o Ziguifrido e a Efigênia?’.
Talvez tenhamos exagerado um pouquinho nesse processo de domesticação masculina.
Preciso de um homem que não tenha aberto mão das idiossincrasias da sua testosterona e compre só cueca branca porque é mais fácil. Um homem que seja proativo o suficiente para programar um fim de semana que me surpreenda, mesmo que nem sempre seja uma surpresa tão boa assim (não dá para acertar todas). Preciso de um homem que leia o bendito guia semanal de qualquer jornal e reserve mesa num restaurante bacana que ainda não conhecemos. Um macho que beije meu pescoço, lamba minha orelha e me convença deliciosamente a praticar o nheco-nheco mesmo quando dou demonstrações explícitas de desânimo total. Um homem, enfim, não um garoto com medo de tomar bronca.
Mas para isso é preciso baixar a guarda. Chega desse papo de tratá-los como inimigos prestes a saquear nosso território se não estivermos sempre com o exército a postos. Vamos deixar para lá essa neura feminista de que é necessário fazer os mocinhos comerem na nossa mão para termos ‘o poder’. Chega de demonizá-los. Já lutamos e conquistamos um monte de coisas, inclusive uma que não esperávamos: uma carência desgraçada, que teima em morrer de vergonha de se mostrar e nos corrói imperceptivelmente. Uma necessidade quase desesperadora de acolhimento e carinho que, certamente, não será atendida (ou sequer percebida) por um bundão. Eles são bons em ligar para perguntar se aquela dor de cabeça passou, mas não têm presença de espírito para comprar um Tilenol.
A verdade é que não precisamos de homens submissos - por que raios nós gostaríamos de ser casadas com alguém sem opinião própria? Precisamos é de um pouco de semancol e, talvez, umas sessões de terapia para reaprender a pedir colo, ficar frágeis, fazer uma comidinha gostosa para ele simplesmente porque deu vontade. Voltar a não ter medo de ser mulher. Tudo pode ser mais simples se nos desarmarmos.
Sabe de uma coisa? Homem submisso é como ‘homem pé de mesa’: muito bacana e excitante na teoria, mas um transtorno na prática.






Colaboração da minha amiga Vânia

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

ISSO NÃO É COMIGO...



“Primeiro eles vieram pegar os comunistas, mas eu não era comunista e não falei nada.


Depois vieram pegar os socialistas e os sindicalistas, mas como eu não era nenhum dos dois eu não falei nada.


Logo vieram pegar os judeus mas eu não sou judeu e não falei nada.


E, quando vieram me pegar, não sobrava mais ninguém que pudesse falar por mim”.




Martin Niemoller pastor que sobreviveu aos campos nazistas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

2009

Se o ano começa depois do carnaval ainda é tempo...

Eu sempre imagino para o ano novo, que finalmente vou tomar uma atitude para deixar de lado algumas coisas, pequenas coisas, como por exemplo me incomodar com a corrupção dos políticos.
Sempre acabo deixando essa e outras decisões para qualquer outro dia.
Mas tem gente que faz pior. Tem gente que tem tanta coisa deixada para o próximo ano, que vai precisar de uns dez anos só para tomar metade dessas atitudes.
Não importa.
O certo é, que como disse Oscar Wilde, “a vida é importante demais para ser levada a sério” e tendo essa máxima bem presente poderemos aceitar o que acontece no mundo.
O ano de 2008, como todos os anos que passaram, deixa marcas na minha vida.
Mais do que mágoas e alegrias, deixa
lembranças do que meus pais me ensinaram, meus amigos me mostraram e algumas pessoas com as quais eu tive de conviver me obrigaram a saber que existem.
Restou saber e lembrar de como fui e sou feliz por ser honesto e bom, de ter ajudado muitos, de ter tido pais que me ensinaram, de não ter filhos que não precisarei ensinar nem saber se aprenderão as lições que não sei se saberia ensinar.
Desejo um ano cheio de conquistas os meus amigos, para aqueles que fingem ser e principalmente para aqueles que
acham que são meus inimigos.
É um grande prazer ver o sucesso da maioria das pessoas e um pequeno prazer ver a dor da inveja de uns poucos.

MG